O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) criou uma equipe especializada para fiscalizar pontes, passarelas, viadutos e túneis em todo o Estado do Rio de Janeiro. As estruturas são classificadas tecnicamente como Obras de Arte.
A criação do grupo foi anunciada pelo presidente do Conselho, o engenheiro Miguel Fernández, durante entrevista ao vivo ao telejornal Bom Dia Alerj, da TV Alerj, na sexta-feira (28). Segundo ele, a iniciativa busca ampliar a segurança, prevenir acidentes e verificar se essas estruturas recebem serviços adequados de engenharia e manutenção preventiva.
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A formação da equipe ganhou força após vistorias realizadas pelo CREA-RJ a partir de denúncias relacionadas às condições de diferentes estruturas viárias.
Entre os casos recentes citados pelo Conselho está uma ponte localizada na região portuária de Niterói, que demandou intervenção técnica imediata.
De acordo com Fernández, problemas relacionados à degradação natural das estruturas e à falta de manutenção preventiva têm sido identificados em infraestruturas que chegaram ao final de seu ciclo de vida útil.
Com o novo grupo, o CREA-RJ pretende manter uma atuação específica sobre esse tipo de obra, acompanhando as condições técnicas e a responsabilidade dos profissionais envolvidos nos serviços de engenharia.
Além das fiscalizações em campo, o grupo trabalha na elaboração de uma minuta de projeto de lei que deverá ser encaminhada à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A proposta pretende estabelecer a obrigatoriedade de laudos técnicos periódicos para pontes, viadutos, passarelas e túneis, incluindo estruturas públicas e concedidas.
A ideia é aplicar a essas infraestruturas uma lógica preventiva semelhante à utilizada na autovistoria predial de edificações urbanas.
Caso a proposta avance, a análise técnica periódica poderá permitir a identificação de problemas antes que deteriorações estruturais resultem em situações de maior risco.
O novo grupo voltado às Obras de Arte passa a integrar outras forças-tarefas temáticas mantidas pelo CREA-RJ.
Entre elas está uma comissão destinada a megaeventos, criada após episódios com vítimas registrados em 2024.
Segundo o Conselho, foram realizadas mais de 94 mil ações de fiscalização no Estado do Rio de Janeiro nos últimos dois anos.
A instituição também vem promovendo mudanças em seus sistemas de controle e fiscalização. Uma delas é a nova Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) digital, que contará com recursos como georreferenciamento, parametrização de custos e assinatura eletrônica.
O CREA-RJ reúne atualmente 120 mil profissionais e aproximadamente 20 mil empresas registradas. Miguel Fernández, que foi reeleito para um novo mandato a partir de 2027, também apontou entre os próximos passos o fortalecimento e a modernização das mais de 30 inspetorias regionais existentes na capital e no interior.
Segundo Fernández, as informações reunidas por meio da nova ART poderão formar uma base de dados destinada a aprimorar a fiscalização do exercício profissional.
O presidente do CREA-RJ afirmou ainda que o cruzamento dessas informações com outras bases poderá ajudar a identificar irregularidades em diferentes áreas.
Entre os exemplos apresentados por ele está o acompanhamento dos serviços de manutenção de equipamentos de ar-condicionado em hospitais e clínicas.
“E quando a gente cruzar os dados dessa base com outras bases existentes, nós poderemos obter ainda mais benefícios para a sociedade”, afirmou Fernández.
Segundo o presidente, a utilização dessas informações poderá ajudar o Conselho tanto na fiscalização quanto no fornecimento de dados para gestores públicos responsáveis por áreas relacionadas à infraestrutura e agronomia.
Outra frente de modernização anunciada pelo Conselho envolve a adoção de inteligência artificial.
Durante a Rio Innovation Week, o CREA-RJ firmou um acordo de capacitação técnica com a NVIDIA, empresa especializada no desenvolvimento de tecnologias utilizadas em inteligência artificial.
Segundo Fernández, a iniciativa deverá contribuir para o desenvolvimento tecnológico dos sistemas utilizados pela entidade.
“Este processo vai fortalecer o desenvolvimento tecnológico do nosso conselho, oferecendo cada vez mais serviços e maior qualidade aos profissionais, tornando o CREA cada vez mais inteligente”, afirmou.
A incorporação dessas ferramentas faz parte da estratégia apresentada pelo Conselho para ampliar a capacidade de fiscalização e utilização dos dados produzidos a partir das atividades profissionais registradas no estado.
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